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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Dinheiro fácil

Gerson Tavares




Existem muitos modos de se ganhar “dinheiro fácil”, mas todos ilícitos. Tem um desses modos que chega a somar ilicitudes e esse modo é exatamente a política. Na política encontramos o traficante, o ladrão, o 171. Enfim, na política estão pessoas que se enquadram em muitos artigos da lei criminal, todos juntos.
Com a lei “ficha limpa” pensei que tudo estaria resolvido, mas qual o que. Pegando pelos candidatos do estado de São Paulo à Câmara, já dá para notar a quanto vai a coisa. Basta dizer que a soma de patrimônios dos 65 deputados federais de São Paulo que vão disputar eleição de outubro “dobrou” nos últimos quatro anos. Em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) dá para ver que os parlamentares paulistas declararam ter R$ 334 milhões em bens, propriedades e em espécie, um valor que é 115,37% maior do que aqueles mesmos políticos registraram em 2006, que foi no valor de R$ 155,1 milhões.
Depois de cinco mandatos, o Vadão Gomes, do PP, está correndo atrás do sexto mandato na Câmara e é considerado o maior valorizador de bens. Seu patrimônio cresceu 438%, passando de R$ 35,8 milhões em 2006 para R$ 192,5 milhões neste ano. Ele, um desconhecido até então, se notabilizou nacionalmente quando do escândalo do mensalão em 2005, quando o publicitário Marcos Valério de Souza afirmou que deu R$ 3,7 milhões em dinheiro vivo ao “safardana”. Réu de processo no Conselho de Ética, Gomes escapou da cassação em votação no plenário da Câmara. Há que diga que “alguns” foram beneficiados por Vadão nesta troca de “favores”.
Se existe um cara que é o símbolo da “sacanagem”, este é o "Paulinho da Força". Paulinho, ninguém mais é que não o Paulo Pereira da Silva, deputado do PDT. Este elevou seus bens pessoais em 492,9%. Passou de R$ 163,1 mil para R$ 967,3 mil. Além de reajustar o valor de um apartamento, de R$ 110,6 mil para R$ 368,3 mil, no bairro da Aclimação, ele juntou ao seu patrimônio um terreno em Embu Guaçu e três automóveis.
Existem outros ainda menos conhecidos, mas não menos pilantras. O Ricardo Tripoli, do PSDB, é um deles. Ainda temos o Abelardo Camarinha, do PSB e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, do “famigerado” PT. Esses completam o quadro dos cinco deputados recordistas em multiplicação e que obtiveram maior crescimento porcentual de patrimônio.
O Vaccarezza teve um aumento na razão de 224,8%, indo de R$ 208,9 mil para R$ 678,6 mil. Um imóvel de R$ 299,5 mil, financiado, e R$ 155 mil de dinheiro em caixa elevaram seus bens. Mas o presidente da Câmara, que é o vice na chapa de Dilma Rousseff do PT, o peemedebista Michel Temer está em quinto lugar em relação ao maior patrimônio na bancada paulista, com R$ 6,05 milhões. Em relação a 2006, o crescimento foi de 163,9%, com destaque para cotas de aquisição de imóveis no Itaim Bibi, bairro nobre da capital. O valor, segundo o TSE, é de R$ 2,2 milhões.
Como não poderia faltar na lista dos “pilantras”, Paulo Maluf, do PP, com R$ 39,5 milhões, é o segundo no ranking dos mais ricos. Em 2006, já havia declarado R$ 38,9 milhões. A subida foi de apenas 1,36% em quatro anos, de acordo com dados entregues à Justiça Eleitoral. Lógico que Maluf sabe que não é hora de ostentar, afinal, a Interpol está no seu rastro.

Mas como nem todo mundo tem o “dom Divino” da multiplicação, dezesseis deputados da banda paulista perderam patrimônio. Segundo o TSE, Walter Ihoshi (DEM) foi quem registrou maior redução, caindo de R$ 3,2 milhões para R$ 609,4 mil. Não soube investir na "BPF", a Bolsa Política de Futuro. Como ele o Aldo Rebelo, do nanico PCdoB também perdeu bens. Ele tinha R$ 643,4 milhões e, agora, informou ter R$ 376,3 mil. Comunista é assim, dividir com precisa.

Agora, o esperto mesmo foi o réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no mensalão, Valdemar da Costa Neto, do PR. Ninguém sabe como ele também teve redução de 15% no patrimônio: de R$ 3 milhões para R$ 2,5 milhões.
Colocando o preto no branco, Waldemar sabe melhor que ninguém montar esquemas. Com prejuízo na bolsa, como pagar as dívidas? “Pilantra!”.

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