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terça-feira, 20 de julho de 2010

Farinha pouca, meu pirão primeiro




Gerson Tavares



Campanha eleitoral nas ruas e começa o “toma lá dá cá”. A maioria dos políticos brasileiros de hoje é formada por “politiqueiros” na essência da palavra. E assim, com a disputa pelos votos que deverão definir quem será o comandante do país nos próximos quatro anos, ninguém tem vergonha, nem de “comprar” e muito menos de “vender” o seu voto.

E o pior é que não estamos falando de eleitores “comuns” vendendo ou trocando o voto por alguma vantagem, mas sim, falando de políticos que por uma vantagem qualquer, que poderá acontecer ou não, deixa de lado o compromisso do partido e sozinho resolve apoiar um candidato que lhe acena com vantagens.

Neste caso estão os “prefeitos rebeldes” que estão deixando de lado o compromisso de seus partidos de apoio a um candidato à presidência e saem correndo atrás daquele que lhes oferecem algo mais. Alguns prefeitos declaram apoio aos adversários de seus partidos, tanto no nivel estadual como também na corrida presidencial como se estivesse “negociando” um produto que é de sua propriedade.

Com a atitude desses “prefeitos” os partidos estão tendo desrespeitados os compromissos assumidos com os candidatos à presidência que fazem parte das coligações e já pensam em punições para evitar prolongar as situações da “saia justa” em que estão metidos. Só com essa medida a candidata Marina Silva, uma das candidatas que vem sendo “boicotada” por prefeitos “vendedores de apoio” e logicamente prejudicada, poderá ter respeitado o seu direito. Por isso, Marina está apoiando a suspensão de um prefeito do PV por apoio a Dilma.

Lógico que em uma grande maioria dos casos de “venda de apoio”, aqueles que se acham “chefes municipais” e “donos da mobilização de eleitores” em seu município, sempre colocam sua preferência por candidatos da situação, mesmo indo contra a militância de oposição de suas siglas e coligações. Pelo visto, é a volta do “coronel” da política interiorana do passado, mas desta vez em qualquer cidade onde houver um prefeito “Odorico Paraguaçu”.

Neste caso está o prefeito José Francisco de Mattos Neto (DEM), de Tanabi, cidade de 25 mil habitantes no noroeste paulista. No último dia 7 de julho, durante jantar de apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT) à Presidência, Mattos Neto declarou os votos de “seus eleitores” para a candidata do Lula e ainda criticou a gestão do PSDB em São Paulo. Imediatamente o presidente do DEM-SP, Rodrigo Garcia, encaminhou um pedido de expulsão de Mattos Neto da sigla. Segundo uma nota de Garcia, “As declarações não representam o sentimento do partido e de seus filiados”.

Muita gente nunca ouviu falar de Tanabi, uma cidadezinha localizada lá no interior do interior de São Paulo. Como cidade a sua população não chega a falar muito ao país, mas como 25 mil pessoas podem corresponder a quase sete mil votos, para candidatos sem escrúpulos, é claro que representa e pode ajudar em muito. E como político é hoje em dia uma raça de segunda classe, o José Francisco de Mattos Neto é o melhor exemplo desta “raça de segunda”. Ele começou a carreira política no PSB, em 1998. Trocou a sigla pelo PDT em 2004 e filiou-se ao DEM em 2007, sempre pensando nas vantagens que poderiam advir nessas trocas. Hoje ele diz estar “tecnicamente sem partido”, porque perdeu o último recadastramento de filiados da Justiça Eleitoral, que declarou sua dupla filiação (PDT e DEM). E para mostrar que seu papel na política é apenas de “negociatas” ele não esconde: “Para acomodar conjunturas locais a gente acaba se filiando a partidos consolidados".

Colocando o preto no branco, Mattos Neto não passa de um “trambiqueiro”, que para se dar bem na vida é capaz de vender a própria mãe. Mas um detalhe aos desavisados: “Ele vende, mas não entrega”.

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