Independência?

Gerson Tavares
Joaquim José da Silva Xavier morreu a 21 de abril pela Independência do Brasil. Foi traído e não traiu jamais a Inconfidência de Minas Gerais. Este é o inicio de um samba enredo da Escola de Samba Império Serrano. Seus autores, Mano Décio da Viola, Estanislau Silva e Penteado mostraram neste samba a importância de Tiradentes para a nossa história. Mas como não é todo dia que aparece um Tiradentes, a Independência está até hoje pendente para o povo brasileiro.
Em um país que já teve Tiradentes, hoje temos políticos que nada fazem para garantir a independência da população. Até porque, para os políticos é muito importante ter o povo sempre dependente e assim, trocar votos nas eleições.
Não poderia falar de liberdade sem lembra da Princesa Isabel, que só assinou a Lei Áurea para livrar os senhores do sustento dos escravos, pois afinal, com a liberdade eles passaram a pagar aluguel para morar, para comer e sustentar a família precisavam comprar de um tudo na “venda” que pertencia ao seu antigo senhor. Se alguém ficasse doente em casa, eram eles que iriam correr atrás das ervas para fazer o chá e se por acaso o doente era ele, o “liberto escravo”, os dias de doença eram descontados do seu “misero” salário. A Lei Áurea tornou a mão de obra bem mais barata e o negro ainda passou a pagar “impostos”. Entre aqueles senhores, estava o próprio pai de Isabel, um dos que iriam se locupletar com o resultado da “coleta” dos impostos.
Mas voltando a falar da liberdade pela qual Tiradentes tanto lutou, hoje tudo volta à estaca zero. O povo só vai às ruas quando insuflado pelos maus políticos e esses só fazem estardalhaço quando não estão levando vantagem. Prova disso está mais que presente, isso para dar um único exemplo, quando o governo Lula tanto luta pela hidroelétrica de Belo Monte. Impactos sociais não interessam quando Lula precisa agradar alguém. A população que depende do Rio Xingu teme ainda a seca na Volta Grande, local habitado por índios e ribeirinhos. Isso porque parte da água terá seu curso desviado para um reservatório, uma área que será alagada, e com isso a vazão será reduzida no trecho de 100 quilômetros. A região já discute há mais de 30 anos a instalação da hidrelétrica no Rio Xingu, mas agora o Lula resolveu e a concessão saiu em fevereiro, com o Ibama dando a licença ambiental. Afinal, a licença tinha que sair porque o “grande chefe” queria e ninguém tem “aquilo roxo” para negar.
E não venha o “seu” Lula falar em investimento para gerar energia por que o resultado não é bem esse. O Rio Xingu perde vazão quando “míngua” a quantidade de água no verão, época de seca. Por conta disso, a expectativa é de que Belo Monte, que terá capacidade instalada de 11.233 MW, tenha uma geração média só de 4.500 MW em época de cheia, quando poderá ser operada perto da capacidade máxima e, em tempo de seca, a geração pode ir abaixo de mil MW. A viabilidade econômica do projeto torna-se assim uma brincadeira de mau gosto.
É por isso que os políticos brasileiros “festejam” hoje a morte Tiradentes. E colocando o “preto no branco”, outros “dentistas” que venham, deverão ter o mesmo destino.
Político brasileiro é sinônimo de “traidor”.
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