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quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Pesquisas que fazem mal


Gerson Tavares





Muitas vezes já escrevi aqui que não acredito em pesquisas. Por vários motivos, para mim sempre que alguém parte para mostrar resultado de uma pesquisa é porque existem dúvidas em relação ao fato. É assim em pesquisa de audiência, de aceitação de algum produto, de reconhecimento de procedência, de utilização ou de veracidade.

Também é assim na pesquisa eleitoral para saber quem está mais cotado para se eleger. Também já escrevi que o eleitor tem como princípio votar no candidato que está em melhor colocação na pesquisa. E é por isso que alguns “institutos” sobrevivem. São aqueles que vendem pesquisas e assim colocam a classificação de acordo com o que interessa ao seu “contratante”. Isto não é "coisa" de hoje.

Depois que esses “institutos” fazem a cabeça daqueles eleitores que precisam se sentir vencedores, os Institutos sérios começam a chegar com os resultados mais próximos daqueles “comprados”. Na noite de sexta-feira saiu uma pesquisa do Datafolha mostrando que a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, cresceu em sete dos oito estados pesquisados. O presidenciável José Serra (PSDB) continua liderando em São Paulo, no Paraná e no Rio Grande do Sul, mas a vantagem ficou menor.

Morador do Rio de Janeiro, tenho a mania de fazer a minha pesquisa particular. Como? Por onde ando, com as pessoas que tenho contato, procuro sem dizer que quero saber, a tendência de voto das pessoas. Faço isso no bar, no jornaleiro, no restaurante, nas esquinas e por onde circulo no meu dia. Falo com o doutor e com o gari, com o motorista de taxi e com o jornaleiro, o balconista e com o garçom. Todos indiscriminadamente são os meus “eleitores em potencial”.

Agora vejo que os dados colhidos pelo Datafolha aconteceram em 382 municípios brasileiros, onde foram ouvidos 10.856 eleitores de segunda a quinta-feira da semana passada e o levantamento anterior, feito de 20 a 23 de julho. E vejo que a vantagem mais significativa da Dilma aconteceu em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, onde passou de 35% para 41% da intenção dos votos, ultrapassando Serra que caiu de 38% para 34%. E aí eu pensei: Pelo visto “Aécio Neves faz mal a saúde do Serra”.

Quando olhei a pesquisa feita no Rio de Janeiro, vi que a vantagem da candidata do Lula aumentou. Ela passou de 37% para 41%, contra a queda do tucano de 31% para 25%. Marina Silva tem 15%. E aí eu indaguei: Onde foram fazer esta pesquisa? Se eu rodo a cidade quase toda e agora, nos últimos meses colocando em meu “circulo de pesquisa” a área médica, quando converso com muitos médicos, enfermeiros e serventes hospitalares e não chego a encontrar 10% de eleitores da Dilma, onde o Datafolha foi buscar aquele resultado?

E ainda fui olhar melhor a última pesquisa do Datafolha e encontrei um resultado que seria impossível ser modificado em tão pouco tempo. Na pesquisa anterior, a região Sudeste estava “literalmente” dividida entre Dilma e Serra. Agora, além de aumentar em dez pontos a vantagem no Rio, a petista lidera em Minas Gerais e diminuiu a desvantagem em São Paulo.

Em São Paulo, região onde é notório que Dilma não é bem aceita, o maior contingente eleitoral do país, com 30 milhões de eleitores, Serra se mantém na frente, mas caiu sete pontos percentuais, indo de 44% para 41%, enquanto sua principal adversária subiu de 30% para 34%.

Colocando o preto no branco, eu não acredito nestes números, mas o eleitor que quer votar no vencedor vai acabar se iludindo e fazendo o resultado que interessa aos “ditadores do proletariado”.

Um comentário:

  1. Eu também tenho bronca desse negócio de psquisa. Só o TSE não vê que ela só serve para influenciar os 'babacas' a votaremn em quem é colocado na frente da pesquisa.

    Chega de sacanagem.

    Gilberto dos Prazeres - Rio

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