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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Tortura nunca mais




Gerson Tavares



Semana eleitoral, terça-feira, início de tarde e nos encontramos, o Erasto, o Virgilio, o Geraldão, o Carlinhos “deixa que eu chuto”, o “Zé Doidão” e eu. Estávamos ali na Rua Antonio Carlos, próximo do fórum da cidade do Rio e falando sobre a repercussão do debate de domingo dos principais presidenciáveis e, lógico, a Dilma era o assunto principal. Realmente ela não sabe o que está fazendo nessa campanha. Se não tiver um papel à sua frente, ela mistura “alhos com bugalhos”.

Quando o assunto era o Plínio Arruda, para todos, a grande estrela de qualquer debate que aconteceu e até mesmo dos que possam ainda vir a acontecer, eis que surge à nossa frente o micro-ônibus da OAB, que estava pegando e deixando alguns advogados no fórum. Um serviço que a OAB faz muito bem, mas o que nos chamou a atenção não foi o fato do leva e trás dos associados e sim a frase que está escrita no vidro traseiro do micro-ônibus. Lá está em letras pretas, a seguinte frase: “Desaparecidos políticos, será que essa tortura nunca vai acabar?”.

O “Zé Doidão”, um cara centrado que é, começou logo a pensar alto sobre aquela frase. Disse o “Zé”: “Desaparecidos políticos... Quem serão esses desaparecidos que conseguem mexer tanto com a sensibilidade dos membros da OAB e que conseguem obscurecer esses ‘aparecidos políticos’ que estão por aí metendo a mão no nosso bolso? Será que a OAB só pensa em quem desapareceu e esquece que estão por aí políticos roubando, matando, enganando o povo? Será que já não é hora de fazer um estudo para ver se esses desaparecidos não sumiram por culpa destes que estão aí fazendo tantas barbaridades?”

Eu tentei ponderar com o “Zé Doidão” falando que o papel da OAB é esse, de tentar encontrar aqueles que desapareceram no regime da repressão militar e ele imediatamente entrou com a réplica: “Mas será que já não é hora da OAB começar a se preocupar com a repressão do regime ditatorial petista?... Estamos já há algum tempo sofrendo uma forte repressão do governo petista e tenho certeza que bem pior será se a Dilma ganhar a eleição”. Mais uma vez tentei contornar falando que a OAB está de olho, mas o meu amigo não se dá por vencido e solta mais uma: “Está sim... Está de olho fechado, porque senão já teria visto que a imprensa está sofrendo ataques quase que diários por parte do Lula, que a imprensa, como o Estado de São Paulo, não pode falar dos amigos do Lula e agora em Tocantins, a imprensa, em geral, não pode nem tocar nos desmandos de um parceirão do Lula e do Sarney, que é o governado do estado, Carlos Gaguim, lógico, do PMDB”.

E o discurso do “Zé Doidão” já tinha platéia quando resolvi que era hora de dar um basta no assunto. Mas o “Zé Doidão” queria fechar com chave de ouro a sua oração e foi buscar lá fundo a sua saída vitoriosa: “È fácil para a OAB falar dos desaparecidos políticos... Afinal, até Dom Pedro II anda sofrendo pressão...”. E com toda aquela platéia, que já atrapalhava o transito para ouvi-lo, o Zé resolveu radicalizar: “Lá nos muros do cais do porto está escrito em letras garrafais... Lá tem gente clamando pela liberdade dos presos do Império... Está lá para quem quiser ver... Será que a OAB também está incluindo esses presos em sua lista?”.

Saiu aplaudido dali e aproveitamos para irmos até ao bar do Domingos tomar aquela loura gelada que ninguém é de ferro.

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