Debater não é fácil

Gerson Tavares
Quando todos que assistiram o debate da REDETV esperavam que o aborto e o casamento gay fossem as grandes atrações, eis que foram deixados de lado e os candidatos passaram a explanar assuntos que até nem estavam no foco. Os principais temas abordados no confronto entre os presidenciáveis, realizado nos estúdios da emissora em Osasco (SP), foram as políticas do governo tucano em São Paulo e as privatizações do governo FHC.
Em certo momento eu pensei que a Dilma Rousseff estivesse disputando o governo paulista. Ela só pensava naquilo que aconteceu no governo de José Serra em São Paulo e falar daquilo que ela tem de projeto para o Brasil, mas nem pensar.
Dilma falou que na área de Educação em São Paulo os governos do PSDB “acumularam recordes negativos”. E como não poderia sustentar essa mentira por mais de trinta segundos, ela citou o veto à compra de a empresa de gás por parte da Petrobrás para criticar a posição do candidato tucano em relação ao investimento em empresas estatais, como se Serra tivesse sido presidente do país em algum momento.
E foi aí que José Serra revidou falando que o PT “mente o tempo todo” sobre seus planos de governo, principalmente em relação à privatização. “O governo Lula fez mais concessões ao setor privado do que o governo FHC”, apontou o candidato.
Só nas considerações finais ficaram realmente posicionados os candidatos. Dilma fazendo as considerações finais, sempre nervosa, falou: “Eu tenho a honra de ser apoiada e estar no mesmo projeto que o maior presidente da República que este País já teve, que é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.” E afirmou que “a esperança venceu o medo, agora a esperança vai vencer o preconceito e o ódio”. Lula sentiu que ela já estava falando demais e que seria muito bom para por ali. O medo do Lula, naquele momento era maior que qualquer esperança possível.
Já o Serra fez em suas considerações finais aquilo que deveria ter feito logo no início do debate e falou: “Eu queria começar dizendo que, para mim, é motivo de orgulho ser candidato. Vim de muito longe, de uma família pobre, de gente trabalhadora”. Disse que chegou aonde chegou graças à escola pública. Disse que aprendeu “valores’ com a família e falou: “Numa eleição, é importante também pensar nos valores dos candidatos. "Na vida pública, eu sempre me pautei pela solidariedade, eu sempre fui um servidor público”. E para completar pegou pesado: “Quem esta no comando tem que servir ao público, e não se servir dele”.
E como o Lula está usando o povo, ele sentiu, na hora, que havia sobrado para ele.
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