Erenice virou “boi de piranha”
Segunda-feira foi dia de acertos na Polícia Federal. Foi dia da ex-ministra da Casa Civil, a Erenice Guerra, falar e já que teve tempo de decorar o texto, Erenice afirmou convincentemente em depoimento à Polícia Federal, em Brasília, que participou de uma reunião com representante da empresa EDRB.
Não podemos esquecer que em setembro, o ministério informou que ela não havia participado e ela não desmentiu. A empresa tentava um empréstimo de R$ 9 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o intermediário para resolver qualquer problema que existisse era o “filhote de cruz credo”, Israel Guerra, filho da ex-ministra da COVIL.
De acordo com informações do consultor Rubnei Quícoli, o “irresponsável” pela negociação, o “safardana” Israel queria 6% do valor da liberação a título de “taxa de sucesso”, mas o BNDES negou o financiamento. Mas como quando os negócios não vão bem, sempre um dos lados acaba “roendo as cordas”, Rubnei tratou de fazer uma denúncia sobre o suposto esquema de “tráfico de influência” na Casa Civil, a "famigerada" COVIL.
À Polícia Federal, Erenice contou na segunda-feira que desconhecia as atividades do filho. Erenice Guerra depôs por cerca de quatro horas e no depoimento, afirmou que aquela reunião que, antes, ela nem sabia que tinha acontecido, não só aconteceu como ela participou por mais ou menos 30 minutos no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), onde funciona como sede provisória do Executivo durante a reforma do Palácio do Planalto.
Ela não sabe bem informar se a reunião na Casa Civil havia sido intermediada pelo seu então assessor Vinícius Castro, suspeito de envolvimento com o suposto esquema de tráfico de influência. Segundo Erenice, a agenda do ministério era feita pelo chefe de gabinete, na época, Jorge Vidal.
E para completar, ela também afirmou que não tinha conhecimento se o projeto da EDRB, de energia solar, teria chegado ao conhecimento da ex-ministra Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência, e que também não sabia quem auxiliou a empresa "a fazer consulta ao BNDES em fevereiro de 2010".
Como não foi possível “empurrar com a barriga’ esse depoimento para depois de 31 de outubro, os advogados do governo tiveram muito cuidado com aquilo que a Erenice poderia ou não falar. Como era impossível ela negar tudo, e como é preciso um “boi de piranha” para o caso, ela assumiu algumas coisas. Outras coisas, ela não negou, mas também não disse saber do que se tratava e sempre procurou não deixar a lama respingar em Dilma Rousseff, pelo menos até passar o segundo turno.
Pelo menos esta é a ordem do Lula, mas se Dilma perder as eleições, aí vai ser um Deus nos acuda.

Nenhum comentário:
Postar um comentário